BBC mostrou que Cunha barrou todos os projetos de Dilma para impedir seu governoTempo de leitura: 6 min.

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A partir de 2013, o governo Dilma Rousseff sofreu uma série de reveses que levaram a presidente, antes com a popularidade nas alturas, a obter uma vitória apertada na disputa pela reeleição e, em seguida, à pior crise no Planalto desde o governo Fernando Collor.

Embora sejam vários os fatores que colocaram a petista na complicada posição atual, prestes a possivelmente ser afastada para sofrer um processo de impeachment, teve imenso peso a oposição ferrenha feita pelo deputado Eduardo Cunha, parlamentar do maior aliado do governo até então, o PMDB.

Principal artífice do atual processo de impeachment, antes mesmo de assumir a presidência da Câmara, em fevereiro de 2015, Cunha já era visto como um aliado, digamos, não tão aliado assim. O histórico, amplamente divulgado pela imprensa, não mente: o deputado foi o pivô das piores insurgências da base aliada no momento em que Dilma teoricamente ainda tinha maioria no Congresso.

Alçado ao comando da Casa, Cunha se tornou um dos políticos mais poderosos do país em seu terceiro mandato como deputado federal. E, diante de seu notório conhecimento do regulamento interno da Câmara, imprimiu um ritmo poucas vezes visto de votação, ao mesmo tempo em que fez uso de todo o seu poder de escolher o que colocar na pauta, e o que deixar “na gaveta”.

Em entrevista à BBC, antes de o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, decidir pelo afastamento do parlamentar não só da presidência da Câmara como do mandato de parlamentar, Dilma o acusou de usar esse poder para impedir “o país de aprovar as reformas necessárias para sair da crise”.

Além disso, criticou ainda o que chamou de “espécie de complacência” da sociedade brasileira com o peemedebista: “O responsável pela aceitação e colocação do processo de impedimento que me atinge é uma pessoa denunciada pública e notoriamente, com contas no exterior, com acusações de lavagem de dinheiro das mais variadas. E ele tem acusações há mais tempo que o meu processo de impeachment”, disse a presidente.

Insurgência e concessões

Líder do PMDB na Câmara, Cunha foi o principal opositor, em 2013, à medida provisória que redefiniu as regras para o setor portuário. Acusado de atender a interesses empresariais, ele queria mudanças no texto, como permitir a renovação de concessões em portos públicos assinadas após 1993.

O tema consumiu longas e tensas sessões no Congresso. Para aprovar a MP, o governo teve, em parte, de ceder às reivindicações da rebelião na base aliada liderada pelo deputado.

O caso, porém, não parou aí: Dilma vetou alguns dos pontos incluídos na Câmara, provocando a fúria de Cunha. Ele saiu do episódio criticando duramente a articulação do governo na casa.

Motim na base

Após a barulhenta experiência ocorrida na MP dos Portos, Cunha organizou em pleno 2014, ano de disputa presidencial, um bloco com parlamentares de partidos aliados e da oposição que passou a atuar contra propostas defendidas pelo Planalto.

Para aprovar algumas delas, o governo teve de fazer concessões tanto nos textos em si como ao liberar verbas para emendas dos congressistas no Orçamento.

Não foram poucos os bate-bocas, pela imprensa, entre Cunha e petistas. O deputado chegou a defender publicamente que o PMDB rompesse com o partido da presidente.

A corrida pela Câmara

Devido ao protagonismo alcançado nos anos anteriores, era claro entre os deputados o favoritismo de Cunha para assumir a presidência da Câmara em 2015, também contou o fato de ele ser visto como um defensor de iniciativas pró-parlamentares.

Sentindo as dores de cabeça que vinham por aí, o governo partiu para uma arriscada tentativa de evitar sua vitória. Surgiram relatos de que ministros usaram a negociação de cargos para pressionar deputados aliados a votarem no petista Arlindo Chinaglia (PT-SP) para mesma cadeira.

Além de piorar ainda mais a relação entre governo e Cunha, a estratégia não deu certo: o peemedebista foi escolhido com folga.

Com o poder nas mãos

Não foram poucas as derrotas sofridas pelo governo na Câmara sob o comando de Cunha. O peemedebista levou ao plenário, por exemplo, a PEC da Bengala, na gaveta desde 2005, que permite à cúpula do Judiciário se aposentar aos 75 anos, e não aos 70.

Aprovado, o texto retirou de Dilma a certeza de que indicaria ao menos mais cinco ministros do STF durante seu segundo mandato.

Dono de suspense  e do martelo

Nos meses seguintes, enquanto as investigações da Lava Jato avançavam ainda mais contra Cunha e se aproximavam do Palácio do Planalto, o deputado adotou um clima de suspense em torno de aceitar ou não um pedido de impeachment contra Dilma Rousseff.

Segundo o noticiário político, nos bastidores ele cortejava o governo e a oposição com o objetivo de tentar preservar seu mandato. Publicamente, fazia várias críticas à gestão federal e acumulava encontros com representantes de movimentos favoráveis ao afastamento da petista.

Tudo isso durou até dezembro, quando os protestos que pediam a saída de Dilma haviam arrefecido e o tema tinha, de certa forma, perdido destaque.

Foi então que, em meio à expectativa sobre o Conselho de Ética da Câmara aceitar ou não abrir um processo contra ele, Cunha convocou jornalistas para anunciar que havia aceito o pedido de impeachment apresentados pelos advogados Janaina Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr.

O deputado sempre negou ter agido por vingança, mas aliados da presidente, e mesmo ela própria, afirmam que ele tomou a medida porque o PT havia decidido votar contra ele no colegiado – o que de fato acabou ocorrendo.

Essa é, aliás, uma das linhas de defesa de Dilma: a de que houve “desvio de finalidade” por parte de Cunha ao usar seu cargo para se “vingar” do governo.

A cara do impeachment na Câmara

Desde o início, Cunha deixou claro o lado em que estava no processo de impeachment.

O processo foi paralisado pelo STF, após pedidos de parlamentares governistas, ele tomar uma série de medidas que desfavoreceriam Dilma, como a eleição de uma chapa avulsa, sem o aval dos líderes de cada partido, para a Comissão Especial que analisaria o pedido de afastamento na Casa.

Quando a corte deliberou sobre as questões contestadas, Cunha entrou com recursos que fizeram com que a tramitação ficasse paralisada até março.

O que se viu em seguida foi um processo célere. O deputado, com certa antecipação, marcou a sessão em que os deputados decidiriam por autorizar o processo contra a presidente para um domingo, aumentando sua visibilidade.

Em seu voto na sessão, na qual Dilma foi derrotada por 367 a 137 votos (eram necessários 342 para o impeachment avançar), o peemedebista disparou: “Que Deus tenha misericórdia desta Nação, voto sim”.

  • B.Beto

    Brasileiro tem lembrança curta. É preciso vir vende de fora para lembrar das coisas como aconteceram

  • mario mendes

    Apesar do efeito Cunha, não podemos ignorar que tudo isso só foi possível, porque a Dilma se mostrou uma Presidenta Incompetenta!

    • Tiago Ribeiro

      A burrice de alguns brasileiros e o efeito da música do Titãs; é que a televisão me deixou burro de mais ôôô.

      Quem ainda não entendeu que Dilma Rousseff cumpriu um papel na história mais importante do que à abolição da escravatura com a lei Áurea assinada pela princesa Isabel são pessoas incapazes de relacionar a índole escravagista deste país de poucos burgueses e muitos abusados.

      Sem DILMA ROUSSEF, Cunha não estaria na cadeia, pois este representa o interesse daqueles que fazem deste país a grande merda que é.

      Ou prefeririam que Dilma Rousseff liberasse os 100 bilhões para o Lobby dos amigos de CUNHA?

      “É muita burrice mas continuo achando que esses merecem o cara do lata velha aquele que faz propaganda dos belos JUROS do ITAÚ, aquele que é amigo dos Batistas e do Neves, e tem sócios corruptos, assim como adoram o prefake de
      São Paulo que se transformou não em carroça, más em carro de boi mesmo só que ao invés de boi somos nós os que recebem as chicotadas desta elite estravagante e egoísta.”

      (Sei que não)

      #CIRO2018#

      ?????????????

      • Carlos Eduardo Silva Moraes

        Exato!! #CIRO2018

      • Manoel Passos

        Não concordo que a Dilma tenha ajudado a colocar o bandidão do Cunha na cadeia, mas concordo que o Cunha ajudou a colocar a Dilma fora do governo, não porque estivesse atendendo as legítimas aspirações populares, demonstradas nas manifestações de rua, mas porque lhe interessava o impeachment. Felizmente, o Brasil livrou-se dois e agora vai se livrar, para sempre, do Lula.

        • ORRAIO

          Não entendeu nada até agora. Tenho dúvidas que saiba mesmo compreender o que lê. Lula e Dilma estão na mira da quadrilha do golpe (com o stf, com tudo) justamente porque sempre estiveram do lado do povo e contra esses ladrões, que agradecem muito o nível de desinformação dos brasileiros. Se fossem a favor desta laia estariam de boa até agora. Manifestoche.

        • JOSÉ

          estude história ,cara…. uma dica …estude o comportamento da imprensa em 1954 (um pouco antes do suicídio de Vargas) ,em 1964 (um pouco antes do golpe militar ) e veja que o Carlos Lacerda tava lá..enquanto ele não fizesse a cagada que fez ele não taria satisfeito…o objetivo dele era a FAIXA PRESIDENCIA e que não conseguiuL….. Aécio neves foi similar a ele (Ao Lacerda) fez as cagadas e perdeu a chance de ouro de se eleger presidente em 2018 …e a máscara dele caiu…Estude história e daí sim venha discutir com a gente,ok?

      • Fabrício Santos

        Ótima análise.

    • Carlao

      É… competente é o cunha… tá lá com a sua competência. E vc deve ser um dos milhões de cunhas…

    • matrone cesca

      queria ver qualquer homem mostrar competência com uma corja de bandidos na pressão!!!Como mulher, ela aguentou por tempo demais as sacanagens dos bandimentares, contra ela

  • Claudio

    A imprensa estrangeira, principalmente a européia, tem mais informações acerca do golpe do impeachment sem crime de Dilma e da crise pós golpe, que a maioria do(a)s brasileiro(a)s. Isso deve-se ao fato da máquina de manipulação da informação da Globo não ter poder no exterior, muito pelo contrário é plenamente reconhecida como uma imprensa golpista.
    Fonte: BBC – Reino Unido

  • Fabio Barreto

    O Cunha assumiu a presidencia da camara em fevereiro de 2015, antes disso quem barrou os projetos da Dilma de 2013 e 2014? E quais foram os projetos que o Cunha barrou????

  • Luiz Parussolo

    Eduardo Cunha é o psicopata dos psicopatas. O lugar dele é na cadeia até a morte.
    Esse sujeito pode prender em um ambiente hermeticamente escuro e isolado que ele mora dentro indefinidamente e se der 2 barulhos a ele joga caixeta e rouba ele próprio.

  • Gilson França de Lima

    Tá na cara até um cego via o que Cunha e congresso tava tramando para tirar o PT do poder . Esse bando de ladrão tem que ser banido da política brasileira . Sempre fui PT sempre serei . Nada vai mudar minhas ideologias . E muito triste dizer mais o Brasil está se tornando uma nova Venezuela . Esse desgraçado dos infernos chamado Cunha quando tramou com seus comparsas a saída da presidenta Dilma esses infeliz filhos do Satanás só pensarão em si próprio não tiver ao nem aí com as pessoas morrendo nos hospitais etc no povo mais sofrido . Ainda há tempo de mudar .