Quem é Carlos Zucolotto Júnior, o famoso “padrinho” de MoroTempo de leitura: 3 min.

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Carlos Zucolotto surgiu para tirar o sossego de Moro.

Se vivêssemos num Estado Democrático de Direito, ao invés desse caótico Estado de Exceção, as declarações do advogado Rodrigo Tacla Duran à CPI da JBS determinariam o imediato afastamento de Sergio Moro e de todos os Procuradores da Lava Jato, pois todos tornaram-se suspeitos, além de investigações de natureza disciplinar e criminal.

Por que? Porque os fatos declarados por Tacla Duran são graves.

Porque a reação de Sérgio Moro, defendendo às cegas seu padrinho, é reveladora.

Porque o silêncio de Deltan Dalagnol e dos demais Procuradores citados é constrangedora.

Porque a ausência de cobertura honesta da mídia é, ao mesmo tempo, reveladora e constrangedora.

Mas o que aconteceu? Em depoimento à CPMI da JBS, o advogado da apresentou registros de conversa que comprovariam atuação de Carlos Zucolotto Jr. em delação.

Mas quem é Carlos Zucolotto Jr?

Esse senhor é advogado e padrinho de casamento do juiz Sérgio Moro e sócio de uma banca que já teve como advogada associada a esposa do magistrado responsável pela Lava Jato.

Uma troca de mensagens entre os advogados, que foi apresentada à CPI, reforça e qualifica as acusações de Tacla Duran de que sofreu assedio do padrinho de Moro para negociar sua delação premiada com a força tarefa da Lava Jato de forma mais favorável, em troca de “honorários” pagos por “fora por fora”.

Se tiver sua autenticidade confirmada, a conversa apresentada demonstra que a entrada em cena de Zucolotto teria conseguido baixar de 15 milhões para 5 milhões de dólares a multa que a força-tarefa queria de Durán em uma delação. A redução teria sido costurada na base de grana, 5 milhões de reais para o padrinho de Moro.

O advogado Tacla Duran trabalhou para a Odebrecht de 2011 a 2016 e é acusado pelo Ministério Público de participar de esquemas de lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Foi preso em novembro de 2016, por ordem de Moro. Atualmente na Espanha, ele teve sua extradição ao Brasil negada pela Justiça do país europeu e é considerado “foragido” pela força-tarefa de Curitiba.

No diálogo, cujos prints estão à disposição na web, fica claro que o diálogo entre não foi nada republicano e que Moro faria gestões junto a Deltan Dalagnol para reduzir a multa.

Bem, a suspeição é evidente no caso.

Por que? Porque a suspeição se fundamenta na dogmática subjetiva do agente, ou seja, ao manter algum contato íntimo ou regular com determinada pessoa, no caso com seu amigo e padrinho, pessoa que atuou direta ou indiretamente no processo o juiz Sérgio Moro está contaminado e perdeu a imparcialidade e a capacidade de julgar, tudo nos termos do artigo 145 do Novo Código de Processo Civil.

Por essas e outras, não fosse o Estado de Exceção declarado pelo TRF4 e validado pelo STF, Moro, seu padrinho e os procuradores da Lava Jato citados na delação estariam em maus-lençóis.

  • Lucas Mariano da Silva

    O advogado-doleiro Rodrigo Tacla Durán deveria ser questionado sobre os crimes de lavagem de dinheiro que praticou em prol das Orcrins do PT e do MDB financiadas pela Odebrecht.