Conheça a médica Danielle Lopez que cobrou Crivella melhorias na saúde e negou abraço ao prefeitoTempo de leitura: 3 min.

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Médica do Centro Municipal de Saúde (CMS) Nagib Jorge Farah, no Jardim América, Danielle Lopez Pera, de 29 anos, chamou atenção ao cobrar do prefeito Marcelo Crivella o reabastecimento das unidades de saúde, durante um protesto na última quinta-feira. Um vídeo em que ela aparece negando um abraço do prefeito e pedindo que ele olhe pela população do local, “que não tem R$ 3 para comprar dipirona”, em falta no posto, viralizou nas redes sociais. E ganhou apoio. Para ela, o paciente não pode pagar pela crise, seja ela qual for.

Estávamos num protesto e soubemos que o prefeito visitaria a comunidade. Resolvemos nos manifestar, na expectativa de que ele nos ouvisse, se sensibilizasse com a situação que nós estamos passando e que todas as outras unidades básicas de saúde estão passando também. Ele foi muito educado e se prontificou a conversar com a gente. O prefeito colocou o que ele achava que era o panorama da saúde atual (Crivella disse que não há crise na Saúde). Eu rebati algumas coisas.

A estratégia de saúde da família é a base do Sistema Único de Saúde, é a porta de entrada. E nós temos um papel importantíssimo na prevenção. A gente conhece a casa dos nossos pacientes, a família deles, os vizinhos. E você vê uma pessoa que tem um córrego passando no meio da sua casa e não tem dinheiro para comer. Você diagnostica uma infecção, e a pessoa não tem como comprar um antibiótico. Pode até ser que não esteja faltando remédios em alguns hospitais, mas um hospital atende urgências e emergências, não casos de menor gravidade. O paciente pode não estar precisando de todos os recursos de um hospital, mas isso não faz com que ele não sinta dor, que não sofra. Aqui, no centro municipal de saúde, precisamos de dipirona. E os hospitais estão lotados.

Eu me dedico há 11 anos para ser médica. Você estuda (medicina) seis anos e não consegue tirar a dor de uma pessoa. Esse é o desespero. Tenho um paciente com câncer de pulmão que não consegue tratamento porque não tem material para fazer uma punção diagnóstica. Está agonizando de dor. Isso é desesperador. Eu só queria que ele (Crivella) se sensibilizasse. Só isso.

Podem haver vários motivos, crise das OSs, crise da prefeitura, não sei. Mas, para o paciente que está passando por tudo isso, não importa. Como gestor, queria que ele pudesse ver isso e tentasse resolver. Estamos esperando esses medicamentos há muito tempo. Semana após semana, eu falo para os pacientes: “Volta na semana que vem, talvez tenha chegado”. E não chega. Recebo aqui crianças com febre, e se a mãe não tem dinheiro para comprar? Cansei de comprar dipirona. Mas tenho cinco mil pacientes sob minha responsabilidade, e não dá para fazer por cinco mil.

Não se nega um abraço a ninguém. Fui mal educada. Mas eu não queria foto, autógrafo nem abraço. Só queria que ele escutasse o que eu estava dizendo. Ele não é o único responsável, mas é quem temos para cobrar. Alguém tem que fazer com que os remédios cheguem à rede. Às vezes, falamos de forma agressiva, mas é o desespero. Por favor, olhe para cá! As pessoas estão morrendo, e nós não temos o que fazer. É muito triste ver que tudo que você estudou não faz diferença. Eu me sinto impotente.

Confira o vídeo em que ela nega o abraço e fala emocionada!