Maduro busca apoio de aliados internacionais para eleiçõesTempo de leitura: 2 min.

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, receberá, nesta segunda-feira, seus aliados da Alba, em meio a questionamentos dos Estados Unidos, da União Europeia e de vários países da América Latina às eleições presidenciais de 20 de maio. Maduro será o anfitrião da 16ª cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba), enquanto a pressão internacional sobre sua pretensa reeleição aumenta.

O governante socialista “quer reconstruir uma Alba debilitada, reunir seus incondicionais, buscando desesperadamente solidariedade, diante de um processo eleitoral rechaçado por grande parte da comunidade internacional”, disse à AFP neste domingo o analista Milos Alcalay, ex-embaixador da Venezuela na ONU.

Washington e o Grupo de Lima – integrado por 14 países latino-americanos, entre eles Brasil, Argentina, Colômbia, México e Peru – não reconhecem o pleito por falta de garantias e pela inabilitação dos principais líderes opositores: Leopoldo López, em prisão domiciliar, e Henrique Capriles.

O governo de Donald Trump, que já ameaçou um embargo petroleiro, estendeu nesta sexta-feira um decreto emitido em 2015 por Barack Obama que declara a Venezuela como “uma ameaça inusual e extraordinária”. Ele também impôs sanções financeiras contra o país e sua petroleira PDVSA. Caracas disse que a extensão do decreto americano é um “crime” e acusou Trump de “ampliar as pressões políticas e econômicas” para atentar contra as eleições presidenciais de 20 de maio e “promover e justificar a derrocada” de Nicolás Maduro.

“EUA é a verdadeira ameaça para o mundo”, escreveu no Twitter o presidente boliviano, Evo Morales, que deve chegar à capital venezuelana na noite de domingo para participar da cúpula. Morales é um dos aliados mais fieis de Maduro e de seu antecessor Hugo Chávez. Nenhum outro mandatário confirmou presença.

Antígua e Barbuda, Cuba, Dominica, Equador, Granada, Nicarágua, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas e Suriname completam o bloco, fundado em 2004. Segundo Alcalay, Maduro terá dificuldade de recuperar espaço com as mudanças políticas em países como o Brasil e a Argentina.

“Eles não serão capazes de cobrir o sol com um dedo”, disse ele, referindo-se ao colapso econômico venezuelano, que vários países definem como crise humanitária. A reunião da Alba coincide com os eventos para o aniversário da morte de Chávez, que aconteceu em 5 de março de 2013.