Marun é alvo de investigação sobre fraudes no Ministério do Trabalho, diz PFTempo de leitura: 3 min.

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O ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo, também está entre os alvos da investigação sobre suposta venda de registros de sindicatos no Ministério do Trabalho. A Polícia Federal chegou a pedir autorização para fazer busca e apreensão em endereços de Marun e da chefe de gabinete dele, Viviane Melo, na terceira etapa da Operação Registro Espúrio, deflagrada nesta quinta-feira. Com parecer contrário da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o pedido foi rejeitado.

A polícia pediu as buscas depois de descobrir, em documentos apreendidos nas etapas anteriores, registros de conversas de Viviane com dirigentes do Ministério do Trabalho suspeitos de fraudar a venda de registros. Viviane teria intercedido em favor do registro de alguns sindicatos. Não estão claras, até o momento, as circunstâncias da suposta interferência da assessora e de Marun na concessão de registros sindicais.

Para a polícia, qualquer interferência externa é considerada descabida. Os critérios para a concessão de registro são objetivos. O documento deve ser emitido toda vez que determinado sindicato preenche as exigências previstas em lei. Se não atende aos requisitos legais, a concessão do registro é rejeitada.

Marun é um dos dois ministros levados ao centro da Registro Espúrio. Helton Youmura foi afastado do Ministério do Trabalho por suposto envolvimento com as irregularidades.

Nesta quinta-feira, após uma cerimônia no Palácio do Planalto, Marun leu uma nota aos jornalistas, na tarde desta quinta-feira, para dizer que não esteve no Ministério do Trabalho desde que assumiu a Secretaria de Governo. Ele admitiu, no entanto, que uma assessora de seu gabinete conversou com funcionários da pasta, que poderiam ser os acusados de fraudes e que, após agenda pública com sindicalistas do Mato Grosso do Sul, seu reduto eleitoral, sua assessoria de imprensa apenas encaminhou pleitos que lhe foram feitos.

— Desde que assumi a Secretaria de Governo, nuca pus os pés no Ministério do Trabalho, nunca conversei com nenhum servidor do ministério a respeito de demandas de qualquer ministério — afirmou o ministro, que disse que, na segunda-feira, apresentará uma queixa-crime para se opor ao que chamou de “vazamento canalha e vagabundo”.

Marun fez um chamado a deputados e senadores para que “tenham a coragem” de pautar e votar uma lei contra o abuso de autoridade.

— Vocês vejam o absurdo que é a ausência de uma lei contra abuso de autoridade. O dano já está feito, quem vai ser punido quando isso não resultar em nada? por isso insisto com meus colegas do Congresso: tenham a coragem de votar uma lei de abuso de autoridade para que absurdos que estão acontecendo deixem de acontecer — afirmou.

Ele também criticou setores do Judiciário, como vem fazendo há tempos, e disse que sabia que poderia ser “alvo de retaliações”.

— Quando me dispus a enfrentar, a protestar contra abusos praticados por setores das instituições brasileiras que deviam zelar pela legalidade, fui alertado e até sabia que poderia ser alvo de retaliações, só não imaginava que poderiam vir de formas tão covardes e pusilânimes como nesse caso. — Se alguém fez isso pensando que ia me assustar, se enganou redondamente, continuo com o mesmo pensamento que tinha antes dessa situação asquerosa ter sido colocada como aconteceu hoje no meu caminho, na minha vida.